Os Efêmeros Somos Nós


 

São esses ciclos.. os movimentos sem fim de contração, expansão.. transmutando em frações de segundos.. são as estações, hoje já indefinidas visto que no inverno passamos tanto calor.

 

Tudo tem. Chovido muito ou feito sol..  alaga ou vira chão do nordeste. ( "e o sertão vai virar mar e o mar virar sertão")

Ando como se não tocasse os pés no chão, talvez porque queira sem querer saber..assim.
Agora é melhor... pois quando eles o tocam demais, me perco. Acordo.

Penso estar evitando o suicídio, conforme mantenho em segredo aquelas dores e doçuras, os encantos infinitamente desencontrados .. mas essa morte, chega mansamente, sutil e devastadora pretejando lenta e silenciosamente os passos dados sozinha.

 

Olhos parados.

_É daquela inércia que eu tô falando.


Lembro que estou viva – acordo - a cada vez que, no meio da noite, meu corpo se meche, se espreguiça involuntariamente e todos os ossos da minha coluna estalam sem doer, na seqüência comparada como sentar em cima daquelas bolhas de plástico que embrulham objetos frágeis.

Frágil é o meu corpo e embrulhada é a minha noite.

Lembro que estou viva também cada vez que tenho aquelas lembranças, ou, no presente instante quando sinto o cheiro dele, o gosto da boca, a penetrante exatidão dos olhos; coloco o ouvido bem perto para me verter do timbre daquela voz.. sua presença. Acordo.

Vejo as cores todas e outras a cada movimento desse humor vulnerável. A Ira insuportável de dar as costas para o mundo inteiro e acho imensamente lindo quando volto a pulsar, pois é como deixar a água fria do mar envolver o pé já afundando na areia, é como despertar sempre.
Alguns degraus da escada desço volta e meia, sem me dar conta, não há motivo em relutar, mas os degraus abaixo consomem e perturbam e os de cima consomem, diferentemente.

 

Cada fragmento se mantém bambo, porém sobre as verdades que lhe cabem e procura-se não bambear tanto.
Quando vem a noite e ela me conta com lágrimas suas expectativas frustradas, seus planos e seus desapontamentos, e eu percebo mais uma vez, -acordo- a sutileza das ações impensadas, da atenção desviada demasiadamente para um só canto da parede.

 

Transmuta e então consigo cantar, brincar, sentir o frio na barriga, e depois o da espinha, fazer uma piada, o carinho é espontaneamente lúcido, descontraio os maxilares. E os pés estão novamente n´água.

 



Escrito por Jé, me Mime às 00h40
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