Os Efêmeros Somos Nós


DO ANDRÉ QUE VIVE [LÁ, AÍ, AQUI E ENTÃO]. (Com lembranças e foto de Lavour 'Arcaica).

                                                                       

 

E daí você acha que está tudo às maravilhas, por que só escuta a voz imparcial pelo telefone, e por pouco tempo.

E quando volta ao que chamaria de conforto se sente incomodado porque algo não está compatível ao esperado e desejado.
E não há o que lhe faça entender como na teoria dessas próprias pessoas tudo é tão mais próximo do alcançável, e como elas mesmas esquecem dos conceitos que elas próprias acreditam serem seguidos – que facilitaria a vida de todo mundo – e simplesmente continuam com uma expressão emburrada, triste, apática.

Isso te faz louco, porque a casa, o lar (doce lar?) é tão desconfortável quanto o lado de fora da casa.

Vocês tem que parar de avaliar a vida dele como sendo a vida adulta, o medo da chuva, o medo do trânsito, se ele é jovem e estará entre amigos. É um tipo de ladainha que não convence, que não cabe, que não tira a vontade de viver aquilo.

Cada um, no seu canto, fica remoendo as imcompatibilidades e se engana de que como é uma família, daqui a pouco tudo volta ao normal. Sendo que o normal, muitas vezes, por mais que todos se amem e se queiram bem é esse silêncio miserável e angustiante.

E dele, nada acaba (começa) sendo dividido porque não há abertura e receptividade, e os acontecimentos são distorcidos para o lado da peversão e malefício.

Fica esse cheiro de mofo, de falsidade (pelo forçamento da naturalidade), de superficialidade, que, sinto muito, tenho que admitir, porque não há como tapar o nariz o tempo todo.

Vez ou outra percebe-se e alegra-se com a harmonia que as coisas tomam e aí sim ele se sente em casa.
Mas
aquela forma de viver, de fluir com regras silenciosas, com horários não ditos pré - supostamente - estabelecidos, também é uma forma de mandar e de estabelecer normas discordantes....

Sim há amor, mas há todas as reverberações e os braços mais particulares do que nasce e germina do amor, a raiva, a indiferença, a preocupação, o des-entendimento, o olhar rancoroso e o olhar que oferece ajuda, a compreensão , a compaixão, o medo de perder, o medo de falar sobre esse assunto..

Quando há o olhar de cima, a percepção e o amadurecimento que faz as pessoas da família se distanciarem devido à esses pontos de vista – de vida, divergentes, diferentes, que não se cruzam.. há um corte em laços particulares, há segredos e há crescimentos não acompanhados, há lamentação por isso, mas nem tudo pode ser vivido e dividido, como situações forçadas de famílias que contam as novidade e sorriem sentados à mesa no almoço de domingo. Isso não é uma obrigação, e mesmo que assim fosse.

E já não é mais necessário se mostrar diferente, (nem quando não passa pela cabeça  mostrar-se) já não é necessário saber por si só que há que se encaixar dentro do mesmo teto, mas que já se é outra coisa mesmo ainda sendo o filho.(mesmo ainda sendo outra coisa). Isso é evidente e natural.

Sufoca um pouco ter que engolir certos enfrentamentos ao passo que, n'outro momento o rosto está limpo, certo do que se é, e do que não.

E isso tudo não quer dizer que há  pretensão em ser uma família de outro jeito, de querer que fosse diferente. Porque ele prefere  assim do que a existência de outras máscaras de uma felicidade em aparências de vidro.

Pois é assim que ele odeia e é assim que ele ama. Porque é assim que existe e o faz .

Sente-se gratissíssimo ( e por que não ?) da vida que tem.

Enquanto todos estão dormindo, lá está , hora no canto do quarto digerindo madrugada à fora a chateação, hora dançando, enquanto quieto e barulhento, rasga  e enfrenta os panos incolores, leve, respira com mais facilidade. Vira a mulher sorrindo de branco.



Escrito por Jé, me Mime às 00h10
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