Os Efêmeros Somos Nós


AINDA RECEOSA DAS EXPOSIÇÕES.

 

E a “muda” começou ao meio dia, quando de repente me vi maior do que tudo aquilo.

Me vi numa troca lenta, numa metamorfose de conceitos e sentidos.. A mudança nos olhares, a troca da pele.

Há uma tristeza distante e funda pelo fato de não sermos mais. Dentro de mim, não somos, você já não é.

E essa tristeza vem da lamentação saudosa do fim de tempos vividos. Tempos bons, conturbados mas com belezas explodindo em todos os segundos e respirações das minhas células.
Mas já se foram, e as memórias existem pra lembrar que estive viva um dia, de outra maneira, que não a de hoje.

Confesso, talvez boa parte do romance e brilho foram frutos da minha imaginação, rebuscada por busca inconsciente de importâncias trêmulas, de fragilidades trágicas e existência natural.

Olhando de cima tenho a sensação de simplicidade nos acontecimentos, uma simplicidade maravilhosa, que nutre em concretude pelos perfumes, pelos sabores e por tudo que foi tocado - na pele e nas entranhas - qualquer tipo de caráter humano e que acertou em cheio no meu.  Porém as lantejoulas, as purpurinas e até mesmo algumas dores foram invenções minhas.  E isso não tira o fato de ter sido real. Real foi tudo, todas as elevações. Porque foi o que vivi.

E hoje é um dia que me vejo, mais do que a ti.

Se não é que dura para sempre, então lamento, pois meus olhos já estão cansados de procurar um horizonte que me conforte. A tal da esperança. Muita coisa morreu por aqui, muita coisa você matou, outras eu assassinei com minhas unhas, dentes. Assassinei a grito. A esperança não foi a última a morrer, mas ela, eu já enterrei também.

Talvez esses nossos desalentos, mágoas, essas feridas abertas sejam uma espécie de desculpa para manter à distância a nossa semelhança e encantamento. Muito sangue foi derramado, da sua parte, da minha parte, e como crianças pedindo colo transpomos a culpa para o respectivo, a cada brecha esfregamos na cara do outro aquilo que dói.

Isso eu também já não quero mais, eu quero agora é a sua verdade, sua sinceridade, formada por palavras saindo da tua boca. Porque fora dela, eu já sei.

Quero ficar com as saudades de todo o inexplicável que fomos, sem rancor e sem “achismos”.
É algo que passa da raiva, é o levantar das sobrancelhas e o lábio que vira um pouco para o lado esquerdo, é a resignação desses caminhos e dessas atitudes negras e secas.

Que seja o início de um desprendimento saudável, o cultivo do essencial, o início da boa convivência sem intenções frustradas. E que eu sustente esse novo espaço que ainda há de ser completamente assimilado.

Somos mais do que estes pedaços retalhados no chão. Estes cacos imundos e fétidos no canto úmido do bueiro. Sim, somos isso tudo – e porque não ser? Mas não é só o que pulsa dentro de mim. Não pretendo que essa seja a minha essência.

Então, que se mude os padrões de comportamento, que se cuspa no conformismo de idéias e que levante o pé dessa lama em estado crônico.

Você continuará vivo aqui, meu bem, mas de um jeito que eu possa agüentar, que eu respire sem angústia. Que seja a sua importância e o seu peso, mas que não seja só o que me defina como existência.

 Tô falando de dar uma chance.  Abrir a gaiola. Voar ou não é uma decisão bem mais além, rasga todas as cortinas ... mas as portas, as janelas, os vitrôs, estão abertos e assim também estão as asas ...



Escrito por Jé, me Mime às 15h05
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