Os Efêmeros Somos Nós


LEMBRANÇAS DO AGORA DE FAZ TEMPO

E quando eu estava em dilúvios, e eu e você entramos no cemitério,( o muro imitando o céu), ele cheio de estátuas e  monumentos que continham histórias lacradas dentro daquelas caixas humanas. Mas não era assustador, era bonito aquilo tudo que estávamos vendo, era uma coisa nova pra mim. Quanto dinheiro é gasto na morte das pessoas.... em homenagem ao legado que continua vivo nos que ainda permanecem.
E nós duas explodindo de tanto entendimento e incompreensão. E eu queria "lançar um grito desumano" .
Mas essa coisa de grito desumano é inútil, porque ninguém realmente escuta. Ninguém está interessado se dentro dos olhos de quem passa na rua acontece o mundo em turbilhões, agonias e alegrias querendo transbordar.

Eu quis aquele dia rasgar todas as minhas cascas e carcaças, (e estava fazendo) eu quis que tudo fosse diferente, que tudo fosse melhor, e que o que já era de melhor perdurasse.
Eu quis mudar de algum jeito e a minha alternativa foi dilacerar os fios longos da minha aparência contínua e acordar a mim mesma, já que acordar os outros e o mundo é uma segunda etapa de uma profundidade muito além.

E enquanto a tesoura cortava e você ria surpresa, eu quase chorava ao som daquela música do Leoni.
Aquele som sempre me passa uma sensação de beleza e suavidade na vida. Dá-me vontade de sorrir e repetir aquele dia. 

E eu fui embora com olhos mais profundos, e com uma certeza esquisita de que eu era única no mundo, e que as mudanças percebe-se por si só. ninguém mais precisa ter consciência disso a não ser a minha própria consciência.

O meu andar na rua de cabelos acima dos ombros - que tinha sido uma revolução e um grito das liberdades – eu só, na rua sabia.
E fora todas as outras formas de ver o mundo (o mundinho e o mundão), fora o cabelo crescendo novamente algumas pessoas e coisas parecem sempre indiferentes à tesoura.

 



Escrito por Jé, me Mime às 21h27
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